Nem sei por onde começar. A verdade é que sempre gostei de
escrever, mas apenas escrevo quando estou no fundo do poço.
Por isso, aqui estou, é ridículo pensar que a minha vida tem
evoluído. Tenho um bom carro, tenho uma casa paga, um negócio que está a
tornar-se próspero, estou na faculdade a tirar um 2º curso, um que
verdadeiramente gosto, tenho uma filha linda e uma mulher 10 anos mais jovem
que eu.
E o meu coração, a minha mente, que tal estão???
Estão profundamente dilacerados por suportar o que tenho
vindo a suportar. Provavelmente nem todas as pessoas são assim, mas há muito
tempo atrás tive uma pessoa especial na minha vida que me disse: “tu és um
animal extremamente sexual e nem sequer sabes disso”, eu pensei que isso era
apenas conversa dela, mas ela mostrou-me o meu lado mais selvagem. Infelizmente
fiz escolhas na vida que nos levou a afastarmo-nos, sem sequer termos uma
relação digna desse nome. Fui injusto e mau para ela, não pensei nos seus sentimentos,
nem a respeitei como o deveria ter feito.
Hoje, apesar de tudo o que me rodeia vivo castrando-me completamente,
tenho apoio emocional da minha mulher, que em vez de me apoiar me irrita e
penso: “para quê essa merda, eu sempre gostei de fazer amor com ela, mas agora
nem isso. Eu preciso mesmo é de foder”, não me posso considerar uma pessoa que
seja fiel num relacionamento sempre gostei de namoriscar, flirtar, sentir
aquela emoção da conquista e de ser conquistado, de foder ou fazer amor com
pessoas novas. (nunca é o mesmo, apesar do que dizem por aí). Acho que o
problema é que após a paternidade não me tornei mais fiel para com a minha
mulher mas, ganhei algo que nunca tive antes, peso na consciência, um grande
peso na consciência, cada vez que penso em endireitar a minha vida e em
comportar de acordo com as regras da sociedade, parece que é pior, ela chega a
estar 1 mês ou mais sem me querer foder. Sinto-me triste, só quero chorar,
desaparecer, mudar radicalmente de vida, mas ao mesmo tempo sinto que ela não é
boa mãe, contrariamente ao que ela pensa de si. Sinto que ela não sabe gerir as
suas emoções e passa a vida a descarregar sobre a nossa linda filha, essa é a
verdadeira razão pela qual não desapareço, primeiro porque sou incapaz de estar
longe da minha filha e depois porque tenho receio que ela a maltrate.
Já não sei mais que fazer, apenas que as minhas forças estão
a dissipar-se e que nada muda para melhor na minha vida. (quem vê de fora inveja-me,
quando na verdade invejo aqueles que pouco têm, mas que têm uma vida de
cumplicidade, de amor, desejo e loucura e que nada mais ambicionam).